Limpeza: Um Valor Absoluto – Palestra Toni D’Andrea

 

Transcrevemos a palestra de Toni D’Andrea, na qual o italiano revela o impacto da filosofia da limpeza na dinâmica social. Confira na íntegra! 

 

Passei os últimos anos tentando entender a importância da LIMPEZA e o que o termo LIMPO significa, tanto no imaginário coletivo como para suas próprias prioridades pessoais. Esse tem sido um exercício útil e positivo que me convenceu de uma vez por todas sobre a importância de se determinar o valor da qualidade em nossas vidas cotidianas e o impacto que isso tem no processo evolutivo de um determinado lugar, país, nação, e também de uma cultura.

Quando vistas através de lentes mais profundas e analíticas, LIMPEZA e LIMPO são palavras que representam um binômio de valores essenciais na sociedade civil, dois fatores definitivos: elas expressam o processo e o resultado. Entretanto, LIMPEZA e LIMPO também representam, sob outra perspectiva, o simbólico e o emocional, um lugar para a reflexão do estado social, da condição humana e, numa interpretação alternativa, sobre os valores morais que determinam o senso de igualdade, justiça e dignidade dos seres humanos.

Eu gostaria de discutir com vocês esses tópicos e compartilhar minha visão e minha interpretação das circunstâncias.

A palavra LIMPO pertence ao nosso vocabulário individual, ou melhor, ao vocabulário social, associado mais frequentemente com a palavra sujo, seu antônimo. Algo está limpo quando não parece sujo. O sentido de LIMPO é um contraponto ao significado de sujo. É o que vem à mente de todos nós de forma sintética e que pertence ao imaginário coletivo e talvez sinestésico de suas características (odor e cor) e na interpretação que o identifica como condição social e ambiental essencial para nossas vidas, nosso conforto e respeito por nós, seres humanos.

LIMPO, numa intepretação menos literal – porém mais social – expressa o sentido de um estado de comportamento positivo, às vezes quase virtuoso. Sempre usamos expressões como “jogo limpo”, “negócio limpo”, “político limpo” e “consciência limpa”. É neste significado alternativo, neste sentido diferente da palavra “LIMPO”, em que eu gostaria de focar com uma nova interpretação e uma nova abordagem metodológica a este tema.

Estou muito consciente de até que ponto LIMPEZA e LIMPO são elementos estratégicos na atividade industrial e comercial bem como para os componentes organizacionais e de planejamento de valor econômico superior. Na Europa, ele representa uma indústria que gera 3,5 milhões de empregos que produzem uma receita de 61,5 bilhões de euros, totalizando mais de 140 mil empresas.

“Limpeza é, portanto, uma oportunidade de avaliar a cultura de comportamentos e os eventos recentes sob uma perspectiva sociológica e, talvez, ainda mais intensamente, com senso comum.”

É por isso que eu gostaria de compartilhar algumas opiniões com vocês. A primeira coisa a fazer é varrer para longe nossos mitos.

Tem crescido consideravelmente nos últimos anos a tendência global de enfatizar os limites profundos do PIB  – Produto Interno Bruto, como único e principal guia para a economia e política econômica.

Já não estamos falando somente de acadêmicos isolados ou políticos apaixonados, como vemos no famoso discurso de Robert Kennedy na Universidade do Kansas, em 1968, no qual dizia: “O PIB não mede nem nossa inteligência e nem nossa coragem, nem nossa sabedoria, nem nosso aprendizado, nem nossa compaixão ou nossa devoção por nosso país. Ele mede tudo minuciosamente, exceto o que faz a vida valer a pena”. Estamos falando de organizações internacionais influentes que idealizaram e concretamente aplicaram os mais complexos e altamente desenvolvidos índices e avaliações. Entre eles, o mais recente, introduzido em meados de 2011, é chamado “Better Life Index” e foi desenvolvido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento e Econômica). Esse novo índice tem recebido a aprovação de vários países, inclusive muito diferentes entre si.  O primeiro mito teve a influência significativa sobre todos nós nestes anos de importante transformação global e é precisamente o PIB – Produto Interno Bruto. A sigla se tornou de uso comum em conversas sobre a avaliação de um país, uma economia e uma sociedade.

É um valor puramente numérico e totalmente insuficiente para medir a economia de um país do ponto de vista qualitativo. Algumas das ações corretivas ou avaliações de um país, por exemplo: redução de resíduos e ações anticorrupção podem certamente contribuir para a redução do GDP e frequentemente aumentam o grau de satisfação da população e a percepção de uma melhoria na qualidade de vida, ainda que não encontrem parâmetros estabelecidos pelas agências de avaliação. O mesmo é verdade para a dívida pública: é importante entender como manejá-la e que ela não é necessariamente uma inimiga a ser combatida.

Países com altas dívidas públicas podem incluir a Itália – uma nação pela qual tenho afeição pessoal – assim como o Japão, que encabeça a lista com o mais alto débito. Também no topo, entre os 10 primeiros, estão Singapura e Estados Unidos e mais abaixo na lista aparecem França, Alemanha e Grã-Bretanha. Em suma, os países mais industrializados do mundo. E mais, Tóquio aparece em segundo lugar, atrás somente de Copenhagen, no ranking de cidades com mais alta qualidade de vida, uma lista que inclui outras cidades virtuosas como Munique, Berlim, Paris e Hamburgo.

Dívida, quando gerenciada cuidadosa e responsavelmente, pode ser vista como uma grande oportunidade. Ela contribui para estender por várias gerações o custo de obras de larga escala pública que, de outra maneira, seria impossível pagá-las a curto prazo.

Há outros fatores que fazem um grande país: sua capacidade intelectual, científica e moral. Seus valores sociais e ambientais, suas perspectivas de emprego, e nenhum deles adiciona qualquer valor ao PIB.

Ao contabilizar somente pelas transações monetárias, PIB negligencia em grande medida as necessidades das pessoas, por exemplo, alguns serviços prestados completamente sem custo: cuidar de crianças ou de idosos, cozinhar, limpeza ou prestação de serviços voluntários. Esses serviços não geram nenhum valor monetário. O PIB também não considera o valor do tempo gasto em recreação, atividades de lazer nem atividades orientadas para o bem-estar da comunidade sem considerar a contribuição econômica essencial do meio ambiente natural. Entretanto, o PIB considera como lucrativos: eventos criminais, divórcios, honorários de advogados e outros sintomas de problemas sociais.

Nós temos que LIMPAR IDEIAS equivocadas.

Disseram-nos com muita ênfase e foram respaldados por prestigiadas universidades do ocidente e pela grande mídia que:

A liberalização descontrolada dos mercados financeiros provocaria um aumento da produtividade e felicidade de todos;

Darwinismo social é o único gerador de crescimento;

Solidariedade social é um fator negativo porque a única maneira de manter o tecido social unido é o mercado;

As diferenças econômicas entre ricos e pobres devem impulsionar um movimento mais vigoroso em direção ao desenvolvimento;

Você deve privatizar tudo, como se fosse a única maneira de nos salvar da ineficiência do estado;

No centro do sistema, como um modelo de desenvolvimento, deve haver “ganho de capital”;

Globalização é fazer tudo de um jeito mais “americanizado” ,onde todos serão beneficiados porque era a melhor maneira possível;

Agora sabemos que tudo isso não era real e nem possível.

Quando a crise estourou em 2008, depois de um longo tempo de maturação, ela desabou duramente. Havia quem argumentasse que a crise não era ruim o suficiente para garantir “uma substancial revisão dos objetivos da economia política, nem nos conceitos fundamentais de como uma economia de mercado funciona”.

Agora nós sabemos a verdade. A crise realmente demandou uma reformulação completa do sistema, um compreensivo processo de limpeza de todas as convicções, fórmulas imperfeitas as quais haviam penetrado profundamente na sociedade e que ainda estão entre nós.

Há algumas áreas onde podemos melhorar e, para isso, devemos nos sentir esperançosos e ainda mais engajados. Isso nos traz a necessidade de afastar nossas ilusões, que são esperanças sem substância, desejo sem paixão, projetos sem perspectivas.

A maior das ilusões que continuamos alimentando é o que parecia ser o fim da crise. Como se uma data ou acontecimento pudessem sinalizar o final da crise e o retorno de uma conversa interrompida. Não há saída da crise e somente um retorno ao passado. Estamos todos envolvidos num colossal processo de transformação que pode nos conduzir a um novo mundo e a um país melhor. Esta é a razão pela qual temos que limpar as coisas, para promover o crescimento de novas oportunidades.

Muitas coisas mudaram nos últimos 10 ou 20 anos e é justo nos perguntarmos sobre as razões e ações com as quais contribuímos e lidamos que nos fizeram seguir em frente juntos.

 


 

Uma abordagem interessante e convincente para o que percebemos e experimentamos todos os dias encontra-se na definição cunhada por  Zygmunt Bauman de “sociedade líquida” ou “modernidade líquida”, ou ainda “vida líquida”. De acordo com as reflexões do autor, na condição “líquida’, tudo deveria ser colocado em questão: valores, sentimentos, antropologias, criação, comunidades. Em resumo, em face da globalização e da conscientização de uma sociedade líquida (que é o outro lado da globalização), a humanidade precisa questionar algumas crenças. A “vida líquida” é uma vida na qual parece não haver pontos de referência; tudo muda muito, muito rapidamente. Ainda estamos aprendendo como encarar uma situação mas nesse meio tempo a realidade mudou, a situação é diferente e nossas ferramentas se tornaram obsoletas e insatisfatórias. Bauman enfatiza que regras  claras e rigorosas já não existem. Igrejas perderam sua influência, partidos políticos se esfacelaram, enquanto todos os relacionamentos, inclusive de trabalho (incluindo empresas familiares) e de cônjuges – emprego relatado e mesmo aqueles em empresas familiares e entre cônjuges tornaram-se incertos.

Ao mesmo tempo, as boas maneiras desapareceram e a impulsividade predomina. Nossa sociedade está dramaticamente mais frágil, desunida, fragmentada e tem sido desprovida de certezas sociais e profissionais, sacrificando o desejo de compartilhar posições, projetos comuns, alienada de ativos emocionais, vendendo os últimos recursos emocionais.

No entanto, a crise econômica juntamente com a entrada de novas potências industriais como a China, Índia e todo o sudeste asiático, poderiam obrigar todos nós a mudar. Esses países impõem uma concorrência impossível às nossas empresas e ao mercado de trabalho e já não podemos suportar essa pressão enquanto preservamos nossos hábitos líquidos, nossa propensão a antecipar a adiar, a complicar nossas rotinas, enquanto aumenta nossa pesada burocracia, e negligenciando nosso treinamento inadequado. As companhias que nos desafiam não são líquidas; são sólidas, extremamente sólidas, e têm determinação, ambição, disciplina forjada a ferro e fogo e vontade inabalável.

Ainda assim, voltar a uma sociedade sólida, seria virtualmente impossível, mesmo se muitas pessoas expressassem suas opiniões em seu favor, levados por uma onda de nostalgia, ou uma forma de emulação cega e anti-histórica da China e da Índia. Na verdade, acredito que Bauman está correto quando nos lembra de que insegurança costumava ser considerada temporária mas hoje parece ser uma condição que ela tenha chegado para ficar. Se a sociedade líquida sublimasse e passasse para o estado gasoso, nós acabaríamos.

Isto significaria uma existência sem planejamento e sem futuro, uma verdadeira regressão ao estado tribal, agravada pela falsa consciência. A solução pode ser encontrada na imposição de novas bases para as relações pessoais, construindo sólidos relacionamentos e capital social. Será essencial que a sociedade de massa seja substituída por um grupo maior, ou seja, grupos de indivíduos conscientes, independentes, habilitados a pensar criticamente, organizados e, sobretudo, livres.

Temos que nos comprometer para que estas grandes mudanças ocorram e nos levem a um novo Renascimento, a fim de reorganizar e apoiar um processo de crescimento coletivo e consciente que irá nos levar para fora de nossos hábitos viciosos e destrutivos. Temos que desafiar o presente e então essa limpeza se torna um valor absoluto para cada um e não um remédio temporário e parcial como se alguém estivesse varrendo a varanda se sua casa e empurrando a sujeira para a frente da minha porta.

Eu gostaria que vocês concordassem comigo em um aspecto em particular, e esta é uma das partes favoritas do meu trabalho. Eu gostaria de levar uma classe política e uma classe de executivos que governassem as atividades de países individuais a considerar limpeza e higiene como indicadores de modernidade, civilidade e cultura de uma nação. Alguns meses atrás, a Afidamp (Associação Italiana de Máquinas, Serviços e Ferramentas de Limpeza Profissional), realizou na Italia, uma pesquisa cujo objetivo era medir a percepção da qualidade e a satisfação dos residentes em relação a algumas áreas fundamentais de distribuição e uso de serviços. O objetivo era determinar cientificamente e, portanto, mensuravelmente, um novo índice de satisfação que chamamos de Índice de Qualidade de Vida. O resultado da pesquisa indicou que entre nove fatores de referência selecionados, incluindo segurança, eco-sustentabilidade, saúde, mobilidade e responsabilidade social, limpeza atingiu 47% das preferências, figurando no imaginário social como o principal gerador de bem-estar e qualidade de vida. Interpretamos esse dado enquanto imaginamos que limpeza é um lugar de liberdade coletiva para todo mundo, uma condição na qual celebramos o senso de respeito pelos seres humanos, de cuidado e atenção da sociedade como um todo. Eu vejo isso como condições essenciais para começar a planejar o futuro.

Quando vamos a um novo lugar, um lugar diferente do habitual, talvez não conhecemos características distintas de bem-estar social ou mesmo o posicionamento cultural, mas imediatamente percebemos o padrão oferecido –  seja num país, numa cidade, num serviço público ou privado –  em termos de qualidade de vida, bem-estar e conforto.

Há três indicadores que determinam muito precisamente o grau de desenvolvimento e subdesenvolvimento de um lugar: a manutenção dos edifícios, dos espaços urbanos e da infraestrutura, a limpeza ambiental das ruas, lugares públicos, lojas, restaurantes e o nível de ruído ambiental: quanto maior o número de decibéis no ambiente, menor o nível de satisfação. Áreas subdesenvolvidas são em geral mais barulhentas, mais sujas e menos atentas à preservação de seu patrimônio público. Temos visto como essa atitude pode ser muito diferente dependendo de cada região. Comunidades localizadas a poucos quilômetros de distância uma da outra, podem ser essencialmente diferentes.

Os mesmos indicadores nos permitem confirmar que o grau de higiene e, portanto, de civilização de um determinado lugar são independentes da renda. Praga, na República Tcheca, é uma cidade muito limpa. São Paulo é moderadamente limpa, enquanto Roma é a mais suja das três cidades, a despeito do fato de que, na média, a renda per capita é significantemente maior (perto de 6,5 vezes maior que a de Praga e 4 vezes  maior que a de São Paulo). Cada centro urbano e social deve produzir e fortalecer uma consciência de limpeza no sentido de “querer isso” e realmente “ precisar disso” porque se o ambiente em que vivemos e todo o sistema de valores compartilhados estiverem limpos, o indivíduo é naturalmente condicionado a respeitar e gerar significado da higiene. Já se os arredores estão sujos e podem ser considerados como poluídos, isto justifica um comportamento falho ou, ainda pior, desencadeia uma indiferença e um desinteresse pelo problema.

Algumas das cidades mais desenvolvidas no mudo tiveram que voltar suas atenções para esses assuntos. De Copenhagen a Helsinki, de Zurich a Hong Kong, indicadores de qualidade de vida são medidos pela tolerância social mas também pela taxa de reciclagem de resíduos, a solidez da rede de transporte público e o grau de integração de grandes espaços verdes junto às áreas construídas.

O tema da limpeza claramente representa uma característica econômica muito importante tanto no setor privado quanto no setor público. Ela representa um custo alto nos balanços financeiros de cada área mas pode ser também uma questão política controversa. Durante um ciclo eleitoral, líderes asseguram que a cidade está mais limpa. O tema da limpeza, contudo, deve ser sempre assumido como uma parte original do projeto arquitetônico e de construção, o qual deve garantir um resultado duradouro, efetivo e estável e deve incluir uma análise preventiva do custo de operação e manutenção ao longo de seu ciclo de vida.

Desenhar um arranha-céu, um complexo industrial, um distrito de compras, uma vizinhança ou um quarteirão e fazê-lo de modo integrado, considerando como isso poderá ser limpo, bem servido, administrado, e assegurando que trabalhos de manutenção serão realizados mais efetivamente e mais eficientemente, em absoluta segurança e com as mais altamente desenvolvidas ferramentas e metodologias, levará a uma redução considerável nas despesas com resíduos usados nos serviços integrados (facility management) e fontes naturais de consumo: energia, água, detergente. Planejamento correto na fase de “revisão do projeto” das ações de manutenção e limpeza naturalmente levarão a fazer melhores escolhas e aplicar diferentes soluções com redução significativa de custos de operação. Hoje, ouvimos falar muito sobre planos integrados, enquanto ouvimos também sobre sustentabilidade preventiva para edifícios.

O debate é acaloradamente contestado e esta tensão pode se tornar o laboratório e a incubadora para a produção de grandes ideias e grandes projetos. Essas reflexões nos levam a considerar dois outros aspectos essenciais do valor da limpeza: habilidade e treinamento.

Recentemente foi realizada uma pesquisa na Itália reunindo uma amostra de companhias altamente representativas do panorama econômico e referindo-se a diversos setores de produção. Entre as companhias que independentemente gerenciam seu próprio serviço de limpeza e não usam uma empresa limpadora, 95% usam produtos e equipamentos domésticos que podem ser comprados em lojas, e somente 15% do pessoal contratado para fazer a limpeza recebeu algum tipo de treinamento profissional. Este dado representa um claro sinal da baixa percepção do valor que a limpeza representa no ranking dos serviços necessários, a despeito do fato de que um lugar limpo é considerado essencial para a população como um todo.

Competência acima de tudo, não somente nos estabelecimentos de saúde que são naturalmente requisitados a utilizar produtos específicos, ferramentas e metodologias, mas também em hotéis, shopping centers, locais públicos e transporte de massa. Falta de uso de métodos e tecnologias apropriados podem levar a sérios riscos para a saúde daqueles que ali trabalham, e a altíssimos custos de saúde e sociais. Treinamento representa uma peça essencial nesse quebra-cabeça.  Currículos que enfatizam a importância da limpeza e os quais em alguns países podem levar a títulos tais como gerente de saneamento têm-se tornado muito importantes. Estas são profissões respeitadas e espalhadas em muitos países do mundo. O setor de limpeza profissional representa o maior laboratório de integração social e cultural na Itália e em muitos outros países, onde os valores de solidariedade e dignidade são construídos. Este é um tesouro de conhecimento e humanidade que deve ser protegido e qualificado.

Limpeza profissional é muito diferente de limpeza residencial e requer habilidades específicas. Para começar, treinamento apropriado é essencial. O serviço de limpeza deve ser realizado usando-se exclusivamente máquinas, produtos e equipamentos específicos e o cuidadoso e explícito uso de métodos e sistemas codificados.

Limpeza não é uma despesa. Seu valor deve ser visto sempre como um investimento. Sua execução torna possível manter o valor da propriedade e reduzir significantemente os custos de intervenções de manutenção. Fornecer serviços de limpeza em locais especiais como hospitais, escolas, creches, casas de repouso, instalações de produção de alimentos e plantas representa a mais efetiva atividade para redução do custo social. Limpeza é um gerador de dignidade para aqueles que realizam o serviço como trabalhadores e para aqueles que recebem o benefício na qualidade de clientes finais.

Limpeza representa um foco fundamental nos sistemas individual e social de necessidades, direta e indiretamente. LIMPEZA e LIMPO são fatores que consideramos em nossa apreciação de situações que vivenciamos. Mencionamos que fazer coisas limpas expressa uma capacidade organizacional que, uma vez completa, nos permite planejar para o futuro. LIMPEZA não significa somente aspiradores e varredoras, detergentes e desinfetantes. Tornar LIMPO representa uma oportunidade excepcional de revisar uma cultura de comportamento e eventos recentes sob uma perspectiva sociológica e antropológica mas também de um ponto de vista político e pedagógico mesmo antes do cotidiano. Tornar LIMPO serve como um convite e um encorajamento a exercitar a inteligência coletiva à qual nós, todos nós, nos sujeitamos regularmente a melhorar o produto da sociedade, a criar condições para o bem-estar estável e compartilhado tanto quanto possível.

 

No entanto, é necessário método e vontade entre as variáveis que governam os fluxos entre os diferentes níveis. Método para fazer os resultados mensuráveis e replicáveis do “fazer melhorias” e vontade para garantir o envolvimento das pessoas que executam as atividades.

O sentimento coletivo gerado pela palavra LIMPEZA é naturalmente associado com a evolução do que era a construção daquilo que será. Ela evoca a visão futura de um novo evento ou ação do que vai acontecer. Ela lembra o evento de alguma maneira. O momento no qual nós produzimos LIMPO ou talvez mais apropriadamente, tornar LIMPO se torna a interface lógica entre o que estava sujo e o que estará LIMPO, porque a experiência nos ensina que onde há LIMPEZA, a única outra possibilidade é a sujeira.

LIMPEZA representa uma fronteira invisível, a chave dentro de um circuito contínuo entre o que era e o que será. Nós poderíamos dizer que limpar é um verbo que se conjuga no presente e, como resultado, pertence a todos nós. Em termos práticos,  LIMPO é sempre o resultado de um processo mais complexo que inclui muitas variáveis: Quem? Como? Onde? Quando? Quanto? Nós não temos que explorar tudo isso hoje. O ponto que eu quero atingir neste diálogo aberto e envolvente é a noção de que LIMPEZA é um valor essencial para todos, porque LIMPO é sempre um resultado coletivo. Um resultado que pertence à nossa própria vontade, na qual encontramos nosso comprometimento, com o qual nós encaramos o futuro com a compreensão de ter feito bem para todo mundo.

Obrigado!


Sobre Toni D’Andrea

Toni D’Andrea, depois de se graduar em arquitetura na Politecnico di Milano (Milan Technical University), fez mestrado em liderança internacional pela SDA Bocconi University, em Milão. Foi Gerente da Qualidade na AB Electrolux (linha CE) até 1997, Professor de Gestão de Design da Faculdade de Arquitetura e Desenho Industrial na Politecnico di Milano e na Parma University. Desde 1999 é Diretor Executivo da Afidamp Servizi. Ao longo dos últimos 10 anos, ele desenvolveu uma plataforma internacional de comércio justo chamado Pulire (9 locais em todo o mundo), que tornou-se um sistema de comércio integrado com a indústria de limpeza profissional. Durante anos, ele tem trabalhado para construir relações estratégicas entre os “global players” no setor de limpeza. Ele já participou de diversos workshops e conferências em todo o mundo, utilizando uma abordagem científica para cobrir a dinâmica e características do comércio da indústria de feiras, com foco no lado da procura. Ele é membro do Comitê Gestor de FEMIN (Federação Europeia de Fabricantes e Comerciantes de Máquinas de Limpeza, Materiais e Acessórios) desde a sua criação, e membro da ISSA European Board como representante nos países do Sul da Europa. Escreveu vários trabalhos e artigos sobre temas relacionados com a indústria de limpeza profissional e os seus desenvolvimentos e também é diretor do FORUM Pulire, Congresso Nacional da Indústria de Limpeza, na Itália.

 

Traduzido por Vera Abbud Vacaro.


By |2018-08-09T14:09:15-03:0017/10/2016|Artigos|0 Comments